1ª Leitura Deuteronômio 26, 4-10
Salmo 90 (91), 15 b “Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória”
2ª Leitura Romanos 10, 8-13
Evangelho Lucas 4, 1-13
“AS TENTAÇÕES DE
CRISTO”-
A nossa fé só se pode mostrar verdadeira e autêntica em sua fidelidade, se for comprovada diante das tentações.
Podemos
colocar como exemplo; uma pessoa que está fazendo regime e assegura a todos que
já aprendeu a se controlar em relação aos alimentos, porém, não pode passar
diante de uma padaria que acabará não resistindo aos doces e guloseimas
expostas no balcão e deverá, para o seu bem, manter-se longe das “tentações”. Na
vida do cristão isso não pode acontecer. Jesus Cristo não fugiu das tentações,
mas as enfrentou com coragem, confirmando assim sua total fidelidade ao Projeto
do Pai.
Quando
temos medo de frequentar “certos ambientes” ou estar na companhia de certas
pessoas de má fama, estamos manifestando o desejo de correr das tentações
porque no fundo, achamos que talvez o mal presente nelas, tenha mais força do
que a graça de Deus que trazemos conosco. Se Jesus pensasse dessa forma, com
certeza não teria freqüentado a casa dos pecadores e nem andado com mulheres
como Maria Madalena, e nem chamado para o seu grupo pessoas como Mateus,
cobrador de impostos.
Na
primeira tentação, o diabo tenta convencer Jesus a tirar vantagem da sua
condição divina “Olha, deixa de ser bobo e use o seu poder divino transformando
essas pedras em pães para saciar a sua fome”. Usar o poder que algum cargo nos
confere, na vida pública, na vida profissional e até mesmo na comunidade, para
beneficiar-se a si próprio, como Jesus, teremos de saber resistir a essa
tentação que é muito forte, pois se ele tivesse caído na lábia do tentador, não
seria realmente um homem, mas teria apenas a aparência humana e seu sofrimento
seria uma grande farsa.
Na
segunda tentação está outro grande perigo: ter poder para
dominar a
tudo e a todos, ser influente e importante e fazer com que as pessoas venham
todas “comer na palma da nossa mão”, como costuma se dizer para mostrar a nossa
superioridade. Ser o dono da vida das pessoas, mandar e desmandar, o diabo
ofereceu todos os reinos do mundo a Jesus, isso significa dizer que toda a
humanidade estaria submetida a ele, e nesse caso o seu reino seria imposto e os
homens não teriam escolha, seria obrigados a aceitá-lo. Prostrando-se aos pés
do diabo, Jesus estaria aceitando fazer o seu “jogo”, usando o seu método
diabólico. Contrariando a proposta sedutora do diabo, Jesus irá prostrar-se não
a seus pés, mas aos pés dos discípulos, colocando em lugar do Poder o Servir.
Precisamos tomar muito cuidado para que na comunidade não sejamos surpreendidos
cedendo a esta tentação.
E
finalmente a terceira tentação: exigir de Deus uma prova do seu amor para
conosco isso é, “poderei me jogar do vigésimo andar de um prédio, que nada irá
me acontecer porque Deus não irá permitir”, foi esse verbo que o apóstolo Pedro
empregou, quando tentou convencer Jesus a fugir do seu destino – Deus não
permita tal coisa, Senhor. Isso é tentar a Deus e colocá-lo á prova! Nos
momentos mais difíceis de sua vida Jesus nunca duvidou do amor do Pai, nem
mesmo quando estava na cruz do calvário, experimentando o fracasso aos olhos
dos seus aos quais tanto amou.
As tentações de Jesus resumem
bem, todas as tentações que enfrentamos nessa vida, sendo ocasiões oportunas
para provar a nossa fidelidade ao projeto de Deus e a nossa capacidade de
usarmos com sabedoria a liberdade que o próprio Deus nos concedeu. É assim que
devemos buscá-lo nesta quaresma, através
do jejum, da oração e da esmola, que nos ajudará no processo de conversão
aproveitando ao máximo todos os momentos que a vida nos oferece, porque como
vimos na liturgia da quarta feira de cinzas, este é o tempo favorável em que o
Senhor se deixa encontrar. Importante também lembrar que as tentações evoluem,
quanto mais resistência e força tivermos, mais forte ela irá voltar, o diabo
sempre acha que no segundo embate ele levará vantagem.
O texto afirma que o tentador
deixou Jesus para voltar em outro tempo, que viria a ser na cruz do calvário
onde se consolidou a vitória da Cruz, sinal da Fidelidade de Jesus ao Pai.
Portanto, não descuidemos da retaguarda!
Pe. Rosevaldo Bahls.
Cascavel, 15 de 02 de 2013.
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