1ª Leitura Gênesis 15,5-12.17-18
Salmo 26 (27) , 1 a “O Senhor é minha luz e
minha salvação,a quem temerei?”
2ª Leitura Filipenses 3, 17- 4,1
Evangelho Lucas 9,28b-36
“TRANSFIGURAÇÃO”
É comum alguém querer
relatar algo importante a um amigo que ouviu ou participou de uma palestra, e
começar....e dizer só lembro o final porque quase dormi na palestra! Com Pedro,
Tiago e João aconteceu à mesma coisa no alto daquele monte onde Jesus havia
subido para rezar, como frisa o evangelista, e justamente na hora em que Moisés
e Elias, personagens importantes do Antigo Testamento, conversavam com Jesus
sobre o seu “Êxodo”, os discípulos nada viram e nem ouviram, simplesmente
porque pegaram no sono. Esse “dormir” teológico sempre aparece na Escritura
Sagrada para mostrar como o homem é pequeno diante do grandioso mistério de
Deus, no paraíso o homem dormia quando Deus tirou uma de suas costelas para
fazer a mulher, no Horto da Oliveira à cena se repetirá, quando os discípulos
dormem em um momento em que Jesus vive a sua angústia. Quando dormimos não
sabemos nada do que se passa ao nosso redor, portanto, na vida de fé, dormir é
não perceber a ação de Deus em nossa vida. Ainda bem que eles tiveram bom censo
e diferente do meu amigo, decidiram não contarem nada a ninguém sobre tudo o
que tinha acontecido no alto da montanha – afirma o evangelho em seu final – e
particularmente acho que fizeram muitíssimo bem porque se saíssem falando, não
iriam dizer coisa com coisa, pois no fundo não haviam compreendido nada
daquelas coisas que estavam acontecendo com o Mestre.
Ao anunciarmos Jesus e falarmos do seu
evangelho, devemos fazer com muita clareza e convicção, caso contrário corremos
sempre o risco de ficarmos fantasiando o Cristo do evangelho. Subir em uma
montanha não é tarefa das mais fáceis, requer esforço, concentração e muita
atenção, pois qualquer escorregão, além de poder ser fatal, a gente ainda perde
todo o esforço do trabalho já feito. Jesus
havia subido á montanha para rezar e nós também “subimos”, isso é, fazemos a
nossa ascese quando nos entregamos à verdadeira oração, aquela onde Deus nos
envolve na sua vida de comunhão, como aquela nuvem envolveu os discípulos, e
revela-nos quem somos e qual a nossa missão. Essa experiência nós a podemos
fazer na oração pessoal, ou quando nos reunimos na comunidade, em torno da
Palavra e da Eucaristia, onde celebramos a paixão, morte e ressurreição de
Jesus, isso é, celebramos as dores e os fracassos, o amargor do cálice da
derrota, mas também a glória da ressurreição, que marcou o seu êxodo, tema da
conversa entre os dois personagens e Jesus. Mas sempre há os cristãs-sonecas,
que também dormem o tempo todo, isso é, participam de todo este mistério sem
compreendê-lo e vivenciá-lo em seu dia a dia e daí, como o apóstolo Pedro,
acorda assustado, com a vontade de armar as tendas do comodismo, fechando-se em
seu grupo ou em sua comunidade, para fugir dos desafios que missão certamente
lhes trará, são aqueles cristãos que só querem sombra e água fresca. Para
compreender todo o mistério, uma só coisa é necessária; ouvir com atenção as
palavras de Jesus o Filho de Deus! “Escutai o que ele diz...”, diz a voz que
sai do meio da nuvem, sigam pelo caminho que ele indicar, vivam do modo como
ele viveu, ponham o evangelho no coração, e teremos enfim o Reino dentro de
nós, irradiando muita vida e esperança, pois a transfiguração mostra-nos a
glória na qual seremos envolvidos, porém, também lembra-nos que há todo um
êxodo a ser percorrido, um caminho que não será dos mais fáceis, mas somente
nele é que encontraremos as pegadas Daquele que venceu e foi glorificado pelo
Pai.
Pe. Rosevaldo Bahls
Cascavel, 19 de 02 de
2013.
Nenhum comentário:
Postar um comentário