sábado, 2 de agosto de 2014

HOMILIA DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM DO ANO A DIA 03 DE 08 DE 2014.
“Eles não precisão ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!”
1ª Leitura Isais 55,1-3.                                                                                       
Salmo  144(145).
2ª Leitura Romanos 8,35.37-39.
Evangelho Mateus 14,13-21.

Multiplicando os pães
O episódio da multiplicação dos pães deve ter impressionado profundamente os ouvintes de Jesus. Os evangelistas, cada um a seu modo, descrevem a cena que pode ser lida de muitos ângulos. Vejamos alguns aspectos do conjunto das leituras propostas pela Igreja para este domingo. Antes de mais nada há a passagem de Isaías. Os que estão com fome e sede que se aproximem para comer e beber. Não é necessário dinheiro.  Da mesma forma que tomem leite e vinho. Sem paga.  Não se trata de comprar, mas de partilhar. O mesmo acontece no evangelho proposto. Os apóstolos querem ir à cidade para comprar.  Jesus adverte que eles precisam dar aos famintos daquilo que eles têm.  Os que se dispõem a matar a fome dos famintos estão antecipando o perfil do mundo novo do Reino definitivo onde não haverá mais luto nem dor, nem fome, nem sede. Trata-se de criar no mundo um novo modo de convivência e de partilha




entre as pessoas. Há que dar de comer aos famintos de perto e sobretudo os homens de boa vontade e os seguidores de Jesus lutarão  para que situações estruturais que fazem a miséria sejam denunciadas e extirpadas.  Há uma arte de comer.  Não se trata apenas de comer como os animais, mas colocar-se  à escuta dos comensais. Os que se assentam para comer  são irmãos que alimentam as forças para continuarem a ventura de serem irmãos.  Comentários de J. Konings (Liturgia dominical - Vozes, p. 172): “O evangelho conta que Jesus se retira de sua cidade para outro lugar à beira do lago, e as multidões saem à sua procura”. Movido de compaixão, Jesus cura os doentes no meio da multidão. Depois, na hora da janta, não quer que o povo vá embora com fome. Manda que os discípulos com sua pequena reserva de cinco pães e dois peixes alimentem a multidão. E saciem os cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças... Trata-se de um gesto profético de Jesus.  O profeta  Isaías tinha anunciado pão de graça: o pão da sabedoria, da palavra, da instrução da lei. Jesus põe em prática essa palavra profética, acrescentando também o pão material. A multiplicação do pão  material mostra que Jesus nos alimenta com o pão que vem de Deus, sua palavra a mensagem do Reino. É  um gesto que inaugura o Reino. O pão material é o primeiro fruto do pão da Palavra... Se a Igreja prega a Palavra, cabe-lhe também realizar  gestos proféticos. Existem  muitos famintos para que se justifique um novo sinal do pão, que realize por um exemplo material, algo do Reino anunciado por Jesus. Não podemos falar do amor de Deus, se não realizamos a justiça material ( e vital) para a multidão, assim como  Jesus dela teve compaixão.  A fome de Deus será sempre o mais




importante, mas a fome do pão é o mais urgente.  O pão material não é o dom último, mas é um “aperitivo” do Reino (por isso devemos cuidar que ele tenha o gostinho do Reino e não do materialismo). Na multiplicação dos pães,  Jesus envolveu os discípulos em sua atuação; são eles que devem dar de comer à multidão. Seu lanche é insuficiente; mas, enquanto o repartem, Jesus faz com que seja até mais que suficiente. “Vós mesmos dai-lhes de comer...”. Não devemos aguardar até o que pão caia do céu. Devemos começar a repartir o que temos (economia da partilha  versus   economia do monopólio e da  capitalização). Assim falaremos no Reino pelas nossas ações.... No Pai-nosso, rezamos pedindo o “pão de cada dia”. Tudo é dom de Deus, também essa coisa mais elementar. O amor de Deus seria questionável, se Deus não nos desse o necessário para viver. Mas quem deve distribuir é a gente. Nosso empenho pelo pão cotidiano  dá credibilidade ao  Reino de Deus.
Pe. Rosevaldo Bahls.

Cascavel, 30/07/2014.

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