HOMILIA DO XV
DOMINGO DO TEMPO COMUM DO ANA A DIA 13/07/2014.
1ª Leitura Isais 53, 10-11.
Salmo 64(65).
2ª Leitura Romanos 9, 18-23.
Evangelho - Mt 13,1-23
PRECISAMOS SEMEAR
O autêntico cristão é
aquele que possui uma mente semelhante a terra boa e fértil. Ele recebe a
palavra de Deus com amor, café, e boa vontade, e procura multiplicá-la
espalhando-a pelo mundo semelhante ao semeador que jogava as sementes sobre os
vários tipos de solos. E assim este cristão produz muitos frutos para o Reino
dos céus. Por mais que o Evangelho seja anunciado, e
hoje nas mais variadas formas, podemos constatar que muitas pessoas não o
escutam, nem o acolhem, inclusive, acreditam que a mensagem de Jesus seja algo
ultrapassado. Talvez este fato possa até suscitar em alguns de nós o seguinte
questionamento: se o Evangelho significa boa notícia e se todo o mundo gosta de
uma boa notícia, por que ela não está tocando o coração das pessoas? Em
primeiro lugar, devemos admitir que este problema não é de hoje; já no tempo de
Jesus e mesmo bem antes, oito séculos antes, como o próprio Jesus cita o
profeta Isaías, já havia essa dureza, esse fechamento em não acolher a Palavra
de Deus. No tempo de Jesus, isto tocava mais aos doutores da Lei, que o
criticavam e o rejeitavam. Mas, enfim, o que pensar de tudo isso, desse
relativismo e secularismo que envolve cada vez mais um grande número de pessoas
que não dá crédito algum à Palavra de Jesus e quer fazer pensar que a religião
está com os dias contados? No evangelho de hoje, com a parábola do semeador que
lança sementes nos mais diferentes terrenos, dando frutos em quantidades
diferentes, Jesus quer opor-se a esta opinião e nos mostrar que tal conclusão
está errada. Na parábola do semeador, cada um é capaz de entender de imediato
que o sucesso ou não do plantio depende de maneira decisiva da qualidade do
terreno em que a semente caiu.
Quem tem ouvidos, ouça! Jesus convida os seus
ouvintes a refletirem que não podem atribuir o sucesso limitado de sua missão a
uma insuficiência da sua mensagem (semente), mas devem bater no peito e
descobrir que a causa do possível fracasso está na sua carente disposição a
acolher a Palavra. A mensagem de Jesus é boa. Quando esta é bem acolhida, muda
a vida de quem a ouviu de modo que se percebe a força e a bênção que essa
provoca. Isto se entende melhor ainda quando vemos que o semeador joga as
sementes em qualquer lugar, tanto sobre terrenos bons quanto lugares não
apropriados para plantar. Ele simplesmente não faz distinção. Talvez com a
esperança de que brote algo dali, como às vezes vemos uma bela planta brotar
num terreno pedregoso e que persiste ali. Assim, lida do ponto de vista do
semeador, a parábola aparece dirigida aos anunciadores do Evangelho. Não temos
o direito de escolher onde lançar a semente e onde não. Nós anunciadores da
Palavra de Deus, devemos plantar a semente sem fazer distinção de pessoas e
esperar pelo tempo de Deus; porque ninguém pode prever o que acontecerá. A
figura do semeador aparece no início do Evangelho e somente no final: o
verdadeiro protagonista da parábola é, na realidade, a semente que aparece do
início até o fim. A situação suposta da
parábola é aquela na qual pareça (veja a insistência sobre isto) que tudo vai
se perder, que o mau êxito da Palavra seja total. Pelo contrário, afirma Jesus
com a sua palavra, não é assim. É verdade que há os maus resultados, especialmente
devido a não abertura à escuta da Palavra de Deus. Mas é certo também que o
êxito existe e de acordo com o acolhimento que se dá a Palavra (trinta sessenta
ou cem). Portanto, uma lição de confiança. Já na explicação dada por Jesus aos
discípulos a atenção se concentra não mais sobre a semente, mas sobre os
diferentes terrenos. O discurso não parece mais dirigido aos anunciadores do
Evangelho, mas aqueles que o escutam e o acolhem. E a explicação se detém não
tanto sobre o primeiro ou o quarto tipo de terreno. No primeiro porque a
semente desaparece por completo e no outro porque o sucesso é garantido. A
ênfase está no segundo e no terceiro tipo de terreno. E o motivo é claro.
É exatamente nestes dois tipos de terrenos que
são evidenciadas as razões históricas e concretas pelas quais muitos na
comunidade desanimavam diante das exigências da Palavra de Deus. São as mesmas
dificuldades de hoje: o medo diante do sofrimento ou da perseguição por causa
da Palavra e, sobretudo o fascínio pelas riquezas e as preocupações do mundo. “A
pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a pessoa que não
tem será tirado até o pouco que tem”. Este provérbio da vida comercial no qual
quem já tem algo merece crédito para receber mais e quem não tem a tendência é
falir mostra que os que se abrem ao Reino, produzirão frutos sempre mais e em
abundância, já os que se fecham perderão até aquilo que têm. Mas enfim, como
explicar que a Palavra de Deus seja realmente rejeitada por muitos? A resposta
é verdadeiramente surpreendente: justamente por ser de Deus, deixa ao homem a
liberdade de abrir-se ou de fechar-se. A Palavra de Deus tem uma sua fraqueza,
que em realidade é a sua grandeza: o respeito pela liberdade do homem. Abramos
o nosso coração à Palavra do Senhor.
Pe. Rosevaldo Bahls.
Cascavel, 09/07/2014.
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