HOMILIA DO II DOMINGO DA PÁSCOA DO ANO A
DIA 27/04/2014.
Recebei o Espírito
Santo
"Como o Pai me
enviou, também eu vos envio”.
Felizes os que creem sem me ver
1ª leitura Atos 2, 42-47.
Salmo 117(118).
2ª leitura 1ªPedro 1, 3-9.
Evangelho Jo 20, 19-31
“Que a paz esteja com vocês! Assim como o Pai
me enviou, eu também vos envio.” Estamos ainda em
pleno dia da Páscoa, “o Dia que o Senhor fez para nós” – é esta a Oitava da
Páscoa.
Se no dia mesmo da Ressurreição, a liturgia centrava
nossa atenção no próprio Senhor ressuscitado, vencedor da morte, hoje, neste
Domingo da Oitava, a atenção concentra-se nos efeitos dessa vitória formidável
para nós e para toda a humanidade.
Eis! O Senhor Jesus, morto como homem, morto na sua
natureza humana, foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito
Santo, Senhor que dá a Vida. E agora, cheio do Espírito, Jesus nos dá esse Dom
divino, esse fruto da sua Ressurreição.
Primeiro Jesus presenteia seus
apóstolos “ao anoitecer daquele dia, o primeiro depois do sábado”. Passou o
sábado dos judeus, passou a Lei de Moisés, passou a antiga criação. E Jesus
ressuscitado sopra sobre os Apóstolos o Espírito Santo, recebido do Pai na
Ressurreição: “Como o Pai me enviou na força do Espírito, também eu vos envio
agora na força desse mesmo Espírito! Recebei, pois, o Espírito Santo, dado para
gerar o mundo novo, o homem novo, o homem segundo a minha imagem, o homem
reconciliado, na paz com Deus! Paz a vós! Os pecados serão perdoados nesse dom
do meu Espírito!” Assim começa o cristianismo, assim ganha vida a Igreja: no
Espírito do Ressuscitado!
Os Apóstolos agora, recebendo o Espírito, recebem a
vida nova do Cristo, a vida que dura para a eternidade. Esse mesmo Espírito,
nós o recebemos nas águas do batismo e na comunhão com o Sangue do Senhor na
Eucaristia. Por isso mesmo, a oração da missa hoje nos pede a graça de
compreender melhor, isto é, de viver intensamente na vida “o Batismo que nos
lavou, o Espírito que nos deu nova vida e o Sangue que nos redimiu”. Em outras
palavras: pela participação aos santos sacramentos, sobretudo o Batismo e a
Eucaristia, nós recebemos continuamente o Espírito do Ressuscitado e, assim,
recebemos a sua nova vida, a vida que nos renova já aqui, neste mundo, e nos dá
a Vida eterna. Por isso a segunda leitura de hoje nos diz que o Pai, “em sua
grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, nos
fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível”,
reservada a nós nos céus! A Ressurreição de Cristo é garantia da nossa, o seu
Espírito, que nós recebemos, é semente e garantia de vida eterna e, por isso, é
causa de alegria e força para nós cristãos. Nós recebemos a vida eterna, nós
cremos na Vida eterna, nós já vivemos tendo em nós as sementes da Vida eterna!
Mas, estejamos atentos: esta nossa fé na
Ressurreição tem consequências concretas para nós: “Os que haviam se convertido
eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna,
na fração do pão e nas orações. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e
colocavam tudo em comum...” Eis: a fé na Ressuscitado; a vida vivida na Vida
nova que Cristo nos concedeu, faz-nos existir de um modo novo, iluminados por
uma nova regra de vida (o ensinamento dos apóstolos e seus sucessores),
sustentados pela fração do Pão eucarístico e testemunhas de uma vida de
comunhão, de amor fraterno, de mansidão, de coração aberto para Deus e os
irmãos.
Mais uma coisa: estejamos atentos para um fato
importantíssimo: a Ressurreição do Senhor não é uma fábula, não é um mito, não
é uma parábola. O Senhor realmente venceu a morte, realmente entrou no cenáculo
e realmente Tomé, admirado e envergonhado, feliz pelo Senhor e triste por sua
incredulidade, tocou as mãos e o lado do Senhor vivo, ressuscitado! Por isso, o
cristão não se apavora diante dos reveses da vida, dos compromissos e renúncias
pelo testemunho de Cristo e nem mesmo diante da morte: “Sem termos visto o
Senhor, nós o amamos. Sem o ver ainda, nele acreditamos. Isso será para nós
fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obteremos aquilo em que acreditamos:
a nossa salvação”.
Pe. Rosevaldo Bahls.
Cascavel, 24 de 05 de 2014.
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