HOMILIA DE DOMINGO DE RAMOS
E PAIXÃO DO SENHOR DO ANO A 13/04/2014.
A festa de ramos marca o início da Semana
Santa que, por sua vez, é o centro do grande acontecimento da nossa fé, ou
seja, o Mistério da paixão, morte e ressurreição de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.
Hoje Jesus vem a nós não como um rei soberano, tirano e dominador. Mas como um
Rei humilde e servidor.
Primeira
leitura Is. 50, 4-7.
Salmo
21.
Segunda
leitura Fl 2, 6-11.
Evangelho
Mt 27,11-54
Uma vez mais a liturgia nos apresenta um dos quatro cantos do servo
sofredor. Desta vez é o terceiro canto. Quem é este personagem misterioso?
Poderia ser o povo de Israel, uma pessoa anônima, talvez, até mesmo o profeta,
ou quem sabe, simbolizaria o Israel messiânico, o Messias futuro! O certo é que
o Primeiro Testamento vê claramente em Jesus a realização perfeita dos quatro
cantos do Servo de Javé. Jesus é o Servo humilhado pelos homens e exaltado por
Deus. A missão do Servo é “mostrar à custa das ofensas recebidas que o amor de
Jesus é perene. Os exilados não precisam lamentar o aparente abandono de Javé,
pois seu amor é eterno”. Qual a atitude de Javé para com o Servo? Dá-lhe a
capacidade de falar para levar o conforto ao povo. Abre-lhe os ouvidos para que
aprendendo como discípulo possa transmitir ao povo os ensinamentos de Deus. O
Servo é um discípulo dócil e aplicado. Javé por fim lhe dá proteção. Quer dizer
Javé prepara seu povo para a missão no meio do seu povo. Qual é a atitude do
Servo fiel à missão recebida? É uma atitude de impressionante humildade,
resignação e entrega total. Ele não oferece resistência àqueles que o torturam
(dá as costas); submete-se a uma profunda humilhação, deixando-se arrancar a
barba, entregando seu rosto aos ultrajes e cuspidas. A ignomínia não derruba o
Servo. Ele conserva o seu rosto duro, quer dizer, para manter sua função de
fiel discípulo e cumpridor de sua missão de Servo, ele não leva em conta as
numerosas ofensas recebidas. Ele tem certeza que o Senhor Deus lhe presta
auxílio. Ele tem certeza que não sairá frustrado. Israel é convidado a ter esta
esperança e certeza do Servo. Diante de tudo o que aconteceu com Jesus, Servo
de Javé e Nosso Senhor, nossa certeza e esperança são inabaláveis. São
estes os nossos sentimentos de cristão diante do sofrimento? Este hino sintetiza a história de Jesus: o
mistério de sua encarnação, morte e glorificação. Vemos primeiro um movimento
descendente (vv. 6-8). É o gesto radical do Filho, seu mergulho mais profundo
nas águas sujas da miséria humana. Jesus assumiu a condição dos mais excluídos:
Deixou sua condição divina, seu modo glorioso de vida (v. 6) e, praticamente,
tornou-se um nada (aniquilou-se a si mesmo). É o mistério da encarnação. Por
solidariedade com os mais excluídos assumiu a condição de Servo, homem a
serviço, homem sofredor (v. 7). O v. 8 refere-se à sua humildade e humilhação,
à sua obediência perseverante, uma obediência até à morte e morte violenta,
injusta, assassina. Jesus aceitou ser rejeitado, um excluído, o último da
sociedade. Os que o excluíram e assassinaram continuam criminosos até hoje
representados pelos que se consideram grandes, donos do poder, da política,
donos do mundo. Em segundo lugar vemos um movimento ascendente. É a ação do Pai
que glorifica o Filho (vv. 9-11). É uma alusão ao mistério de sua ressurreição
e ascensão. Em relação à primeira parte, o texto lembra a síntese do mistério
cristão anunciado por Jesus: “Quem se humilha será exaltado, quem se exalta
será humilhado”. O Pai exalta o Filho, glorifica-o, dá-lhe o Nome que está
acima de todo o nome, restitui-lhe a condição divina anterior, glorificando
também sua humanidade (v. 9). A ele todos, absolutamente todos, devem a honra e
a adoração; os que estão nas alturas celestes, os que estão sobre a terra e os
que estão debaixo da terra. Todos os seres criados estão submetidos ao nome de
Jesus (v. 10). Deus Pai confere a Jesus o nome de “Senhor”. É sua identidade de
ressuscitado. Jesus, glorificado pelo Pai, tornou-se Senhor de tudo e de todos.
Por isso toda a língua, quer dizer, todo mundo deve confessar o senhorio de
Jesus para a glória de Deus Pai (v. 11). Com este hino, Paulo nos convida a
termos os mesmos sentimentos de Jesus (v. 5): desapego, humildade, obediência e
entrega total a serviço dos excluídos. “Quem se humilha será exaltado”. Se
Deus nos chamasse hoje, estaríamos em condição de sermos exaltados? Vamos
seguir o itinerário de Jesus no relato da paixão. Em Jesus se realizará a
profecia do Servo sofredor. Ali acontecerá o aniquilamento total do Filho de
Deus (Fl 2,6-8). O alto do calvário é o ponto mais baixo que Jesus alcançou no
seu mergulho na miséria humana. É o seu encontro solidário com os mais
excluídos. Depois do calvário começa o movimento ascendente (Fl 2,8-11) daquele
que desceu para resgatar os excluídos. Seu êxodo termina na casa do Pai como
Senhor glorificado. A paixão começa com a Eucaristia (vv. 14ss), na qual Jesus
se doa, antecipadamente, no pão e no vinho consagrados. Ali, Jesus anuncia a
traição de Judas e ensina que o maior é aquele que serve, que faz o que Jesus
está fazendo, que é capaz de doar a própria vida (Fl 2,7-8). Jesus anuncia a
traição de Pedro (vv. 31ss) apesar de ter rezado tanto por ele e apesar de sua
boa vontade. Jesus tem consciência de sua morte na cruz e diz simbolicamente
que a vida cristã é uma luta (vv. 35ss). Em seguida Jesus se dirige para o
monte das Oliveiras e se põe a rezar, mas está pronto a realizar a vontade do
Pai. Sua oração foi intensa. Jesus estava angustiado. Duas vezes adverte os discípulos
a rezarem para não caírem em tentação (vv. 39ss). Os vv. 47-53 narram a traição
de Judas e a prisão de Jesus. Em seguida temos o episódio da negação de Pedro
na casa do Sumo Sacerdote (vv. 54ss). Jesus começa a realizar nos pormenores a
profecia do Servo Sofredor. Pela manhã, Jesus foi levado ao tribunal judeu (=
Sinédrio), onde ele se revela o Filho de Deus (vv. 63-71). Depois é conduzido a
Pilatos, quando o enchem de acusações e em seguida a Herodes, mas ali permanece
em silêncio (23,1-12). Então ele é re-enviado a Pilatos que o declara inocente,
mas os judeus pedem a sua morte e Pilatos acaba cedendo (23,13-25). Jesus leva
sua cruz ao calvário com a ajuda de Nicodemos. Depois Jesus é crucificado e,
antes de morrer, perdoa seus algozes e promete o paraíso a um dos dois
criminosos que foram crucificados com ele (vv. 36ss). Às 15 horas Jesus morre
para a salvação de todos. Representando os povos pagãos um oficial romano
reconhece que Jesus era justo. Por fim Jesus é sepultado por José de Arimateia.
Eis o drama do Servo Sofredor e Redentor dos homens.
Dom Emanuel Messias Oliveira
Bispo Diocesano de Caratinga
(33) 3321-4600
CASCAVEL, 17 DE 04 DE
2014.Bispo Diocesano de Caratinga
(33) 3321-4600
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