ALEGRAI-VOS E EXULTAI, PORQUE
SERÁ GRANDE A VOSSA RECOMPENSA NOS CÉUS.”
/Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando a
festa de todos os santos. Conosco alegram-se os anjos e glorificam o Filho de
Deus”
1ª leitura Ap
7,2-4.9-14.
2ª leitura 1Jo 3,1-3.
Evangelho Mt 5, 1-12.
Ao se aproximar o final
do ano litúrgico, a Igreja nos oferece momentos especiais para a meditação do que
há-de vir. Neste mês de novembro, especialmente, três solenidades marcam este
momento: a celebração de Todos os Santos, a solenidade de Fiéis e, ao final do
mês, Cristo Rei. São três instantes marcantes: a celebração da Igreja
Triunfante, a da Igreja Padecente e o triunfo de Nosso Senhor ao final dos
séculos.
No Brasil, por especial
concessão da Santa Sé, as festas de guarda são permitidas transferirem sua
celebração para o domingo seguinte, quando caem durante a semana.
Envolvido pela grandeza
desta solenidade, vem-me à lembrança as palavras de um pregador que me
fascinaram na infância, povoando minha imaginação com aquela homilia fenomenal:
“Hoje o céu assume a terra. A terra assume o céu. A Igreja militante neste
mundo se une à Igreja padecente do purgatório para glorificar e louvar a Igreja
triunfante do céu, na presença da Trindade Santíssima”.
Com estas lembranças que
enchem a nossa alma de doce saudade e esperança cristã, celebramos a festa do
José, da Maria, do Antônio, do Pedro, da Conceição, santos da terra unida à
multidão de santos consagrados e anônimos, como Ambrósio, Inácio de Loyola,
Pedro e Paulo, Bento, Atanásio, Clara, Rita de Cássia, Teresa de Jesus, Teresa
do Menino Jesus, Paulina, José, Anchieta, Camilo de Léllis, Affonso de Ligório,
Escrivá, Antônio de Pádua, Antônio Galvão, Beato João Paulo II e tantos outros
santos de nossa devoção que nos ensinam o cotidiano da vida cristã, rumo à
Jerusalém Celeste.
Celebramos hoje as três
dimensões de nossa vida cristã: a vocação à santidade futura no céu; a
santidade do passado – daqueles que nos precederam na visão beatífica - e
celebramos a santidade gratuita de Deus na nossa caminhada neste vale de
lágrimas rumo ao Absoluto.
A Mãe Igreja nos convida
hoje para celebrar os seus filhos, os canonizados e os não canonizados, os
conhecidos e os desconhecidos, os que morreram em defesa da fé, como mártires,
e os que também tombaram confessando com fidelidade a nossa fé. Celebramos
todos os santos que uniram fé e práxis de vida comunitária, testemunhando Jesus
Ressuscitado na sua realidade e em seu estado de vida.
Mas por que celebrar os
santos do céu e da terra? Porque todos nós somos convidados à vida de santidade
atendendo ao mandato bíblico: ”Vivei a santidade, santificando uns aos outros,
porque Deus, o Poderoso, é o Santo dos Santos”.
A santidade é um caminho
espinhoso. Combatendo o bom combate, todos são convidados a trilhar este árduo
caminho, especialmente a partir da dimensão comunitária, a dimensão paroquial,
de engajamento no projeto de evangelização, para aproximar-se mais e mais da
plenitude da eternidade, no amor de Deus.
O Evangelho desta festa é
a doce alegria cristã das Bem-aventuranças (Mt. 5,1-12a). Bem-Aventuranças que
é o programa, o ideário, o caminho ideal para se alcançar a santidade de estado
e de vida. A santidade ela é uma conquista, é a vitória no “combate espiritual”
que pugnamos no dia-a-dia, sempre tendo presente que a santidade provém de
Deus.
E como a santidade chega
aos homens? Com a encarnação do Redentor, pela sua morte na Cruz, pela remissão
dos pecados de todo o gênero humano, homens e mulheres devem se espelhar neste
maravilhoso evento onde se haure a santidade divina.
As bem-aventuranças,
apresentadas na Liturgia da Palavra, devem ser consideradas como o caminho da
felicidade. A CNBB nos convida, com as Diretrizes da Ação Evangelizadora da
Igreja no Brasil, a reler este Evangelho como caminho de santidade, lançando as
redes em águas mais profundas, atentos à exortação do saudoso Pontífice João
Paulo II: “Duc in altum!”.
Mas, queridos irmãos, o
que é ser santo? O Concílio Vaticano II nos ensina que, considerando a vida
daqueles que seguiram fielmente a Cristo, “somos convidados a buscar, por novas
motivações, a cidade futura e, simultaneamente, instruídos sobre o caminho seguro
pelo qual, entre as vicissitudes do mundo, segundo o estado e a condição de
cada um de nós, podemos chegar à perfeita união com Cristo, ou seja, à
santidade”.
Ser santo, portanto, é
seguir e imitar os exemplos, palavras e obras de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ser
santo é ser pobre, no sentido de desprendido dos bens do mundo, e ávido pelos
bens do céu, aberto aos excluídos sob todos os aspectos, aos famintos da graça
divina, aos mendigos da misericórdia de Deus. Ser santo é acolher e perdoar.
Ser santo é ser pacífico, é ser generoso, é ser caridoso, é ser acolhedor, é
chorar com os que choram, é dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem
sede. Ser santo é tirar o seu agasalho e agasalhar a quem tem frio e está no
relento.
Num mundo tão cruel, com
tanta fome, tanta miséria, tanta guerra, tanta violência, tanto
desentendimento, a exemplo dos santos e santas que a Igreja nos apresenta,
devemos anunciar o Evangelho da acolhida, do amor, do perdão e da multiplicação
de dons e bens.
O convite para lançar as redes
nas águas mais profundas é o convite para a busca incessante da santidade.
Todos, pecadores e santos, somos convidados, porque Deus conhece os nossos
corações e nos chama à conversão. Somos convidados a ser santos, e cada vez
mais santos. A vocação universal dos cristãos é a santidade: “Sede santos, como
o Pai celeste é santo” (Mt. 5,48).
A santidade é o doce
chamado desta liturgia sagrada. Uma santidade que começa na família, na
comunidade, na Paróquia, entre os amigos, no trabalho, enfim, que permeia a
vida como um todo. A santidade não é inatingível, porque ela deve ser
vivenciada nas coisas simples, nas coisas comuns, no cotidiano da vida cristã,
procurando viver os mandamentos cristãos com grande e eloquente simplicidade,
em íntima sintonia com a Santíssima Trindade.
Ao olharmos a imagem dos
santos – ao contrário do que os injuriosos e incompreendidos dizem que
adoramo-las – recordamos os exemplos edificantes de vida desses paradigmas de
vida cristã, de constante sintonia com o Deus Trindade, e inspirados neles
traçamos nossa caminhada rumo ao definitivo, à visão beatífica de Deus.
Ter a um santo ou a uma
santa como intercessor junto de Deus é como olhar o porta-retrato do pai ou da
mãe no criado-mudo da cama e passar a mão naquela fotografia que nos relembra a
pessoa querida e nos interpela a ser santo ou a evangelizar como aquela pessoa,
cuja ausência se torna uma presença pelo amor que lhe devotamos.
Adoramos o Deus Trindade.
Veneramos nossos santos e a Virgem Maria, presença forte, determinante, inspiradora
para todos os cristãos. Afinal, quem não se ufana da Mãe que tem? Sem o amor
sacrossanto do papai com a mamãe, não estaríamos hoje aqui. Por isso, veneramos
nossos santos, como nossos pais, como nossos motivadores para a santidade de
vida.
A segunda leitura (1Jo.
3,1-3) desta solenidade proclama nossa atual santidade, por sermos filhos de
Deus e templos do Espírito Santo, embora ainda não seja manifesto o que
“seremos” após o Juízo, de acordo com a nossa caminhada de fé. Por isso,
celebramos hoje, também, a Igreja Militante, que caminha neste mundo, com suas
alegrias e misérias, sob a inspiração da Igreja Triunfante, com muita vontade
de lançar as redes em águas mais profundas, em busca da santidade que nos
envolve e nos eleva: “Duc in altum”.
A tudo isso se une a
primeira leitura, com a visão antecipada do Apocalipse sobre a plenitude de
todos aqueles que aderiram a Deus. Quem aderiu a Deus participará das núpcias
do Cordeiro, como eleitos.
Eis, pois, como todos
somos convidados a santidade. Nós, Igreja militante, com homens e mulheres do
povo sofrido, somos convidados a caminhar rumo à Igreja Triunfante, na firme
certeza de que a santidade é a meta básica da vida cristã. É preciso ser santo:
isso é o principal! O resto é consequência do amor gratuito de Deus pelos
homens.
A santidade é a perfeição
de vida que se conquista no dia-a-dia, com altos e baixos, momentos de alegria
e momentos de tristeza. Nossa grande esperança, a armadura que com que nos
revestimos confiante nessa batalha, é a cruz que venceu o medo, o pecado e a
morte, o capacete da vitória cristã.
Em tudo isso está a frase
que marcou o meu cristianismo: “Enquanto o mundo, gira a cruz permanece de pé!
Cruz da vitória da morte sobre o pecado. Cruz da vitória de Deus contra a
soberba. Cruz, sofrimento diário que abre as portas do céu”.
Pe. Rosevaldo Bahls.
Cascavel, 31 de 10 de
2013.
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