HOMILIA DA SOLENIDADE DA SANTISSIMA TRINDADE DO ANO A DIA 15/06/2014.
RIMEIRA
LEITURA Ex 34,4b-6.8-9
Sl (Dn
3,52-56).
SEGUNDA
LEITURA 2Cr 13, 11-13.
EVANGELHO
Jo 3, 16-18.
SOLENIDADE
DA SANTÍSSIMA TRINDADE
“O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo
e com o
mel do
rochedo o saciou” (cf. Sl 80,17).
Este
tempo maravilhoso de Páscoa, que foi encerrado com o Domingo de Pentecostes,
nos colocou diante dos olhos a unidade da obra do Pai, do Filho e do Espírito
Santo. Cristo veio cumprir a obra do Pai e nos deu seu Espírito, para que
ficássemos nele e mantivéssemos a obra do Pai e nos deu seu Espírito, renovando-o
constantemente, neste mesmo Espírito. Assim, a festa de hoje vem contemplar o
tempo pascal, como uma espécie de síntese. Síntese, porém, não intelectual, mas
“ministerial”, isto é, celebrando a nossa participação na obra das pessoas
divinas. A festa da Santíssima Trindade sempre foi celebrada no domingo
seguinte ao domingo de Pentecostes, com a finalidade de mostrar o triunfo da
Santíssima Trindade na história da salvação: o Pai Criador, o Filho Salvador, o
Espírito Santo que renova e refaz todas as coisas.
Foi Jesus
que revelou que no Deus único, há três pessoas distintas. Santo Antônio afirmou
que na Palavra Pax está contida a revelação do mistério da Trindade: “Note que
na palavra pax, paz, há três letras e uma sílaba, em que se designa a Trindade
e a Unidade: no P, o Pai; no A, primeira vogal, o Filho, que é a voz do Pai; no
X, consoante dupla, o Espírito Santo, procedente de ambos. Assim, ao dizer: A
paz esteja convosco, recomenda-nos Cristo a fé na Trindade e na Unidade”.
A
Santíssima Trindade, na palavra do Concílio Ecumênico Vaticano II, afirma que o
dogma da Santíssima Trindade é o centro de nossa fé.
O próprio
Cristo envia os seus discípulos para a missão determinando que o mandato do
batismo seja efetuado em nome da Trindade Santíssima: “Ide pelo mundo e batizai
a todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (cf. Mt. 28,19). A
existência de um Deus único, com uma só natureza divina, mas distinto em três
pessoas, é revelação de Jesus.
Por isso
a Santíssima Trindade permeia toda a vida do cristão. Todas as vezes que
fazemos o sinal da Cruz estamos invocando a Santíssima Trindade. Quando fazemos
o sinal da Cruz reverenciamos o Deus único e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito
Santo. E, assim, também começa a Santa Missa com a saudação inicial: “A graça
de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus-Pai e a comunhão do Espírito Santo
estejam convosco”, quando pedimos que seja Bendito seja Deus que nos reuniu no
amor de Cristo.
A
Trindade está presente em tudo: no glória quando glorificamos ao Pai, ao Filho
e ao Espírito Santo; bem como, no Credo, quando renovamos a nossa fé no Deus
uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo.
O
mistério da Santíssima Trindade é a luz que ilumina todas as verdades da fé. E
é um mistério de amor profundo. A Trindade é a comunidade perfeita, a
comunidade de amor pleno. O Pai criou tudo por amor; o Filho, muito amado pelo
Pai constrói no mundo, com sua vida, um reino de amor, e o amor é um dos
grandes dons do Espírito Santo. Assim, no Santo Evangelho de hoje, tirado do
diálogo de Jesus com Nicodemos, recorda o imenso amor de Deus pelas criaturas,
pelos homens e pelas mulheres, um amor tão grande, tão sublime, tão profundo
que vence a barreira do pecado e da morte à custa do sangue derramado de seu
próprio Filho. Um amor inaudito que quer ter todas as criaturas junto a si,
participando de sua feliz vida eterna. Deus nos ama de tal maneira que
nos enviou o Espírito Santo em auxílio da fraqueza e da miséria de nossa fé,
completando o nosso coração de esperança, avivando a fé em Jesus, o Redentor,
revestindo de tal maneira nossa vida a ponto de que é Ele que reza em nós e em
nós rende louvores e graças a Deus. Deus Pai já não olha para o nosso pecado e
ignorância, mas vê o “o próprio Espírito, que advogada por nós em gemidos
inefáveis.” (cf. Rm. 8,26)
A
proposta de Deus nasce de amor, explicita-se na encarnação e morte de Jesus, e
tem por finalidade dar a todos a vida eterna. O homem e a
mulher, em resposta ao chamado de Deus, consistem em aceitar ou não aceitar a
missão de Jesus, o Filho. Aceitar ou não exige uma decisão pessoal, de adesão
ao Evangelho da libertação e da vida nova. Jesus garantiu que o Espírito Santo
nos ajudaria a conhecer a Verdade e a discernir as coisas. A decisão passa pela
adesão ao Cristo Ressuscitado, o Redentor e Salvador, através de uma adesão
misteriosa e amorosa de docilidade ao Reino e ao Seguimento do Cristo.
Deus uno
e trino que é indivisível. Indivisível, mas amoroso e generoso na comunhão
amorosa e eterna com a Trindade, devemos construir uma vida do amor, com amor e
para amar, como Cristo nos amou e amou a sua Igreja. Sim, a solenidade da
Santíssima Trindade, nos convida a buscar e viver a integração da unidade na
pluralidade em todos os sentidos.
Que a
Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo acompanhe sempre as nossas vidas e nos
ajude a fazer a experiência amorosa de Deus. Vem Trindade Santa, caminha
conosco e nos dê a sua paz!
Pe.
Rosevaldo Bahls.
Cascavel,
11 / 06 / 2014.
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