quarta-feira, 10 de abril de 2013

HOMILIA DO III DOMINGO DA PÁSCOA DO ANO C DIA 14/04/2013

1ª Leitura Atos 5,27b-32.40b-41
Salmo 29(30),2 a “Eu vos exaltarei, ó Senhor, porque me livrastes”
2ª Leitura Apocalipse 5,11-14
Evangelho João 231, 1-19

PESCAR SEM JESUS POR PERTO É COMPLICADO.
A  impressão que se tem é que Pedro desistiu de tudo e voltou á vidinha antiga,de pescador. O que me chama atenção, é que a reestreia na profissão de pescador, foi uma lástima: labutou a noite toda com seus amigos pescadores, e não pescaram nada, pelo que diz o texto. Depois, de manhã voltando da pescaria encontram Jesus na praia com peixe e pão grelhado; Jesus, que era carpinteiro e não pescador, aparece na praia, como de costume partilha com eles e depois dá palpite na atividade pesqueira de Pedro e dos outros pescadores experientes, mandando jogar a rede do lado direito e Jesus como seu Pai José era carpinteiros dá sugestão aos experientes pescadores.  Dá para imaginar a cara de “pouco caso” que Pedro fez, com aquele palpite estranho de Jesus. Por que, vamos e convenhamos, que diferença faz, jogar a rede do lado esquerdo ou direito da barca? Para Pedro Jesus não entende nada de pesca. Entretanto, seguindo exatamente a sua palavra orientadora, aconteceu uma pesca milagrosa, e as duas barcas ficaram tão cheias de peixes graúdos, que por pouco não afundaram. Antes que alguém diga que isso mais parece lorota de pescador, deixa-me informar que essa história é absolutamente verdadeira, mas... É claro que não se trata de peixes apenas....
Quando Jesus chamou Pedro, Thiago e João..., um belo dia á beira mar, prometeu que daquele dia em diante, iria fazer deles, pescadores de homens. Não se pode também, imaginar que Pedro decidiu sair pelos lugarejos, fazendo uma pregação meio louca, da sua própria cabeça, e que daí as coisas não deram certo. Mas o evangelista se reporta aos primeiros tempos da comunidade primitiva. Que dureza tentar cumprir a missão, sem Jesus por perto! A primeira sensação é realmente de um grande fracasso, em nossas comunidades a gente experimenta muito isso, a própria vida da comunidade, ás vezes se acha comprometida e parece que todo trabalho não vai dar em nada.
Os apóstolos sabiam muito bem qual era a missão que o Senhor lhes havia confiado, nós também nos dias de hoje, já estamos até carecas de saber qual é a missão primária da igreja, e o que compete a cada batizado fazer, para que o anúncio do evangelho aconteça, mas o problema são os métodos que nós utilizamos, será que estão corretos, será que são os mais adequados, será que não estamos querendo fazer as coisas do nosso jeito?
Há os que confundem o Evangelho com ideologias políticas, ou com uma Filosofia de vida, há os que pensam que o Evangelho não tem nada a ver com a nossa vida e a nossa história, com a realidade onde estamos inseridos, e pensando desta forma, lá se vão noites e noites de uma pescaria infrutífera, trabalhos pastorais, reuniões cansativas e desgastantes, projetos que não saem das gavetas, catequese “arroz com Feijão”, normas e regras na Vida dos Sacramentos, que não agregam nada. As pessoas chegam, procurando alimento, e vão embora esfomeadas, esta é uma grande verdade.
Tudo isso porque falta ás vezes o essencial, o reconhecimento de Jesus presente em nossa lida comunitária, aqui um detalhe extremamente importante: para reconhecê-lo, só a fé não basta, é preciso uma relação amorosa com Deus presente em Jesus, por isso João, o discípulo que Jesus amava, exclama feliz, ao constatar o resultado surpreendente da “pescaria” “É o Senhor!”. Jesus jamais será percebido na comunidade se faltar aquilo que é essencial: a relação de amor para com ele. Há os que o buscam somente na razão, outros o buscam e pensam tê-lo encontrado na emoção, qualquer um desses caminhos não será válido, se faltar essa relação amorosa.
Mas o Pedro, poxa, o Pedro quase morreu de vergonha quando escutou falar que aquele homem na praia era Jesus, e correu vestir-se porque estava nu. Sem a consciência de que Jesus caminha conosco na Igreja, a gente não se reveste da graça santificadora, quando estamos nus, expomos a nossa vergonha, pois não temos como ocultá-las, mas revestidos da roupa nova que Jesus nos oferece com a Salvação, tornamo-nos homens novos, e a Luz da Graça Divina nos dá a roupagem nova, ocultando nossas fragilidades e limites, somos enfim, recriados, essa seria a palavra certa para o processo de salvação.
Comunidade é lugar de acolhimento, portanto de calor humano, que aquece com brasas fumegantes alimentando todos os que a buscam, Na brasa daquele homem misterioso á beira da praia, e que eles não sabiam ainda bem, quem era, já tinha um peixe e pão grelhados, mas Ele pede alguns dos peixes que eles haviam pescado. Comunidade é lugar de alimentar e ser alimentado, de receber e de dar. Feito isso, juntando o peixe de Jesus e o seu pão, e os peixes graúdos, que são os frutos do trabalho em comunidade, seja ele qual for, o alimento está assegurado a todos. Jesus indicou o lugar, isso é, o como fazer, e eles acreditaram... Eis aí o eco das palavras de Maria nas Bodas de Cana “Fazei o que ele vos disser...”
Na comunidade, Deus e Homem se unem, Jesus e nós poderemos nos unir em uma parceria misteriosa chamada comunhão de vida, é isso, somente isso, que garante alimento em abundância a todos...
Pe. Rosevaldo Bahls.
Cascavel, 12 de 04 de 2013.

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