MOSTRAI-NOS SENHOR VOSSA BONDADE.
Este Evangelho narra o envio dos doze Apóstolos.
Por ocasião da escolha deles, o texto diz: “Ele (Jesus) constituiu então doze,
para que ficassem com ele e para que os enviasse a anunciar a Boa Nova” (Mc
3,14). Eles ficaram um bom tempo com Jesus, escutaram seus ensinamentos e viram
suas ações; chega agora o momento de uma nova etapa no discipulado: a missão.
O envio dois a dois dá sentido comunitário à missão
apostólica.
Os profetas da época tinham também discípulos, mas
o estilo era diferente. O profeta se sentava, os discípulos ficavam em volta e
ele ensinava. Jesus, ao contrário, é um profeta itinerante. Seus discípulos o
acompanhavam e ele ensinava o povo, pregava a conversão, enfrentava situações
difíceis, curava os doentes, expulsava demônios... Agora os discípulos são
chamados a fazer o mesmo. A missão dos Apóstolos aparece assim como um
prolongamento da missão de Cristo.
Ao enviá-los Jesus deu-lhes umas instruções
concretas. “Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um
cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura”. O missionário
deve trabalhar em total pobreza e desprendimento. Libertos de bagagens, eles
ficam mais livres, desinstalados e disponíveis para a missão confiada. Esse
“como” pregar é o principal testemunho profético.
“Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa
partida.” Esta é a consequência da situação de pobreza e de desapego do
missionário: fica fácil hospedar e ser hospedado pelo povo, e não precisa ficar
mudando de casa em casa.
O nosso testemunho cristão é como uma medalha que
tem dois lados. De um lado é a nossa palavra e a nossa aparência; do outro está
a nossa vida real, como vivemos no dia-a-dia e o que carregamos conosco. Esses
dois testemunhos se completam, e o povo tem ocasião não só de ouvir o
Evangelho, mas de ver como ele é vivido. “A palavra convence, o exemplo
arrasta”. “O meio é a mensagem”. As nossas atitudes falam mais fundo do que as
nossas palavras.
“Então os doze partiram e pregaram que todos se
convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes.” Os
profetas da época viviam escondidos do povo, e não se preocupavam em curar
doentes. Para Jesus, esse cuidado com o homem todo, alma e corpo, é o sinal de
que o Reino de Deus está perto.
“Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem
vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra
eles!” Sacudir a poeira dos pés para não levar frustração. O missionário fica
contente diante da porta que lhe abre, mas tranquilo diante da que se fecha;
por isso é capaz de assumir a incompreensão dos evangelizados. Como uma
prevenção contra o triunfalismo, Jesus prepara os seus enviados para o possível
fracasso da sua missão. A tarefa deles é semear, não colher.
O êxito não está garantido, porque o Evangelho é oferta gratuita, não
imposição.
Tudo isso vale para todos nós cristãos, que no
batismo recebemos a missão profética.
Nas entrelinhas dessas normas concretas nós vemos
um estilo apostólico, que foi o do próprio Jesus: pobreza para a liberdade,
desinstalação para a disponibilidade e entrega para o serviço do Evangelho,
visando o Reino de Deus.
Havia, certa vez, um rapaz que morava perto do mar.
Ele gostava de andar na praia, pra lá e pra cá, refletindo sobre seus
problemas. Quando ele voltava, via na areia sempre rastos de duas pessoas. Ele
pensava: que bom, Cristo caminha comigo!
Um dia, ele estava passando por uma crise muito
forte, um sofrimento muito grande, e foi caminhar na praia. Ao voltar, viu
rastos apenas de uma pessoa.
Ele disse para o amigo: “Ô Jesus, justamente no meu
momento mais difícil, o Senhor me abandona?
Jesus respondeu: “Não, meu irmão, você está
enganado. Esse rasto que você vê é meu. É que, nas suas horas mais difíceis, eu
o carrego nos meus braços!”
“Ide fazer discípulos entre todas as nações, e
batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a
observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias,
até o fim dos tempos” (Mt 28,19-20). Jesus não falha neste seu compromisso,
especialmente nas horas mais difíceis de seus enviados.
Maria Santíssima é a Rainha dos missionários, de
ontem e de hoje, pois ela, atendendo ao chamado de Deus Pai, gerou Jesus para
nós. Que ela nos ajude a cumprir bem a nossa missão profética.
Começou a enviá-los.
Pe. Rosevaldo bahls
Cascavel, 12 de 07 de 2012.

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