Elevo o Cálice da minha Salvação invocando o nome Santo de
Jesus.
Este é o mais
conhecido milagre do reino, em que as contas de multiplicar se fazem a dividir!
Os gestos largos de Jesus, na sua beleza, densidade e simplicidade,
conduzem-nos, desde logo, em espírito e em verdade, à Última Ceia, ao coração
da Eucaristia. Tomar, abençoar, partir e dar, são gestos que haviam de
ser os últimos verbos da palavra definitiva do Amor de Jesus, à volta daquela
mesa, precisamente «na hora em que Ele ia ser entregue» (ICor.11, 23)! “Em
cada celebração eucarística, atualiza-se, para nós, essa mesma doação, que
Jesus fez da sua própria vida por nós, e pelo mundo inteiro” (cf.Sac.
Carit.88).
No evangelho deste
dia, sobressai, todavia, um elemento, que gostaria hoje de realçar e de
relacionar com a Eucaristia: o convite explícito a cada um oferecer a sua
própria contribuição! Os dois peixes e os cinco pães indicam a nossa
contribuição, pobre, mas necessária, que Ele transforma em doação de amor por
todos! Cristo continua, ainda hoje, a exortar os seus discípulos a empenharem-se
pessoalmente: «Dai-lhes vós de comer» (Lc. 9,13). Na verdade, a vocação
de cada um de nós, a partir da nossa união a Jesus na Eucaristia, é tornar-se “pão
repartido para a vida do mundo” (cf. Sacr. Carit. 88) e, consequentemente,
a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Na Eucaristia, Jesus faz de
nós testemunhas da compaixão de Deus, por cada pessoa!
Sinto necessidade de
insistir nesta perspectiva «vivida, concreta, real e social», da
Eucaristia, pois podíamos iludir-nos, com a ideia de que basta «acreditar
verdadeiramente no mistério eucarístico e celebrá-lo devotamente» (Sacr.
Carit. 94), cumprindo o preceito com todo o temor e fervor.
Não basta! “O culto
agradável a Deus nunca é um ato meramente privado, sem consequências nas nossas
relações sociais” (Sacr. Carit. 83).
De fato, foi assim, “desde
o princípio, em que os cristãos tiveram a preocupação de partilhar os seus bens
(At. 4 32) e de ajudar os pobres (Rom. 15, 26). Vede que o ofertório, que se
realiza nas assembleias litúrgicas, constitui viva reminiscência disso mesma”
(cf. Sacr.Carit. 90). Os cristãos que partiam e repartiam o pão da Vida na
Eucaristia, não deixavam de partir e repartir entre si e com os demais o pão de
cada dia. Hoje, infelizmente, o ofertório, parece ter-se tornado um aborrecido
peditório, desviado desse sentido fraterno de partilha; mas tal necessidade
permanece bem atual, pois também a partir daí, «as instituições eclesiais de
beneficência, realizam o valioso serviço de auxiliar as pessoas em necessidade,
sobretudo os mais pobres» (Sacr. Carit. 90).
Meus irmãos: Jesus
tomou, abençoou dando graças, partiu e deu! A esta luz, gostaria, para terminar,
de conjugar como imperativo estes quatro verbos, do milagre da multiplicação e
da instituição da Eucaristia, traduzidos em gestos da nossa vida pessoal e
social de cada dia! Escuta, então, meu irmão: Como Jesus, e com Jesus, toma
o Pão em tuas mãos! Não o agarres como se fosse produto merecido e
exclusivo do trabalho das tuas mãos! Recebe sempre, de mãos puras e vazias, o
pão de cada dia e o vinho da tua alegria, como receberás nas tuas mãos pobres e
estendidas, o pão e o vinho da Eucaristia! Toma o Pão da Eucaristia! Não
o agarres, pois é dom! Toma Cristo, nesse Pão! Adora-o! É Jesus, na sua
presença real, vida dada em comunhão!
Como Jesus, e com
Jesus, dá graças! Ergue sempre os teus olhos ao céu, donde brilha o Sol e
se derrama a chuva, que fertiliza a terra, que te dá o pão e o vinho, do teu
andar e do teu caminho! Aqui, onde o céu se une a terra, levanta os olhos, para
a hóstia e o vinho consagrado sobre o altar! E canta e louva e dá graças, pelo
Pão vivo descido do Céu, que por ti Se entregou, com todo o Seu Sangue, e por
ti dá a Vida eterna! Num hino de amor, canta a Deus, em Eucaristia, todo o teu
louvor!
Como Jesus, e com
Jesus, parte e reparte o teu Pão! Abre a tua mão, e deixa nela,
acontecer o milagre da comunhão! Dá a tua parte, que é fermento para o
crescimento e segredo da multiplicação! Deseja menos pela boca, o Pão da Vida,
que só Te pode saciar o coração! Cristo, partido na tua mão, abre-te os olhos a
Deus, abre-te as mãos à fome do teu irmão.
Como Jesus e com
Jesus, dá o teu Pão aos outros, e, com os outros, distribui-o pela
multidão!
Faz do pão partido da Eucaristia, pão repartido, para a vida do Mundo!
Repartido em palavras de consolação, em gestos de partilha, e de companhia na
solidão!
Meu irmão, do “mês em
festa”: Em tempos de crise, como este, faz da tua vida mais simples e mais
sóbria, terreno do amor concreto e da alegria de Deus. Enfim, faz da tua Missa,
Missão! Olha: são palavras da mesma família.
São gestos do amor de Deus,
que afinal passam pela tua mão!
Pe. Rosevaldo Bahls.
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